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тιago, 18 anos. Um rapaz como os outros que encontra demasiadas coisas por entre as coisas que devem ser notadas. E este é um espaço meu, entre todas as outras coisas.


 


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Terça-feira, 13 de Dezembro de 2011

"Será que estás assim tão mais forte?"

 

(AVISO: este post devido á sua complexidade e tamanho enormes, só deve ser lido por aqueles que tiverem tempo para o fazer, assim como vontade e uma mente aberta)

 

 

Não preciso saber se sou o único que já alguma vez na vida se deixou levar pela falta de esperança, nenhuma vontade de viver, zero de felicidade e muita, muita necessidade de desaparecer. Não o preciso de saber. Simplesmente porque a resposta a esta pergunta se concentra em mim. Em mim, no que fui, no que sou. E quem se viu passar pela mesma situação, não significa a ter vivido. Não da mesma forma que eu.

Sempre fui um rapaz que era mais fácil de derrubar do que erguer. Nunca me sentia realmente bem. Faltava-me algo, faltava-me a minha identidade, faltava-me o que move montanhas nas vidas das pessoas: faltava-me felicidade. Era-me simplesmente mais natural estar triste, mesmo sem o mostrar, do que sorrir naturalmente. Era-me estranho sentir borboletas na barriga. Eu era alguém exclusivamente frio comigo mesmo. Alguém que procurava viver sem saber se quer o que isso implicava ou o que mesmo significava. Procurava manter-me no meu canto indiscutivelmente distante e ausente. E como qualquer rapaz, rapariga, pessoa, eu sorria. Sempre sorri. Sempre havia coisas que me faziam pisar na terra batida que me levaria á felicidade, sempre. Mas eu não o sabia. Não sabia que ser feliz implicava sujar-me. Acreditava que havia quem fosse feliz perpetuamente. Nascesse, vivesse, respirasse, morresse feliz. Eu achava que a felicidade era algo tão natural e digno do ser humano, que a devia possuir. Independentemente de lutar por ela. Devia mesmo. E como não a possuía, deixava-me andar. Como se um dia, ao acaso, a achasse do nada. Eu até podia ter tudo o que me fosse materialmente indispensável, mas sentia-me vazio. Mas ia vivendo, e nem pensava assim muito em mim e no que seria ser feliz. Procurava sê-lo, mas só agora dou conta disso. Na altura vivia como se fosse miseravelmente alguém. Mas nem sabia quem era, os meus objectivos eram nevoeiro e expectativas não eram coisas em que pensava. Realmente, não me lembro de pensar em mim nessa altura. E sei agora que não era feliz, mas também não era triste. Tinha um humor linear paralelo e ligeiramente abaixo do zero.

Até que as coisas se alteraram. O surgimento de uma rapariga. A minha vida mudou. Comecei a estar feliz porque ela me fazia feliz. Não era preciso olhar-lhe nos olhos. Era unicamente preciso saber que existia. Que, tal como me dizia, me amava. O amor que nos unia mutuamente podia não ser inquebrável, mas deixava-me noutro patamar. Fazia-me tímido beijá-la. Não por vergonha, mas porque a felicidade era algo novo. Uma nova experiência. Eu achava ser feliz porque ela mo fazia ser. Se eu estava diferentemente triste, ela conseguia fazer-me sorrir, voltar a sentir-me feliz.

Mas o facto de sempre termos vivido longe um do outro, fez com que a magia fosse perdendo essa cor para tomar conta de mim numa escala de cinzentos que fazia da nossa relação uma monotonia feliz que nem sequer nos preenchia por todo. Com o tempo as expectativas aumentam. Isso foi um problema.

Foi com esse namoro que me deparei com o que era viver realmente. Comecei a ter consciência, cresci. Não foi da noite para o dia, mas foi por ver a minha vida partilhada com alguém. Dei conta que a minha vida já não me pertencia só a mim. Pensar em mim, na minha existência, nos meus objectivos, no que queria de mim, dos outros, da vida. Pensar. Pensei tanto. Pensei em demasia talvez.

A minha vida tornou-se tão complexa. Já não era um fio pelo qual eu seguia, era um enredo deles. Na verdade não se tornou. Dei conta do que era. Dei conta do quanto miserável era. Do quanto miserável eu me sentia. E deixei-me mergulhar nela. Na ideia que encontrei em mim do que era.

Ela já não me fazia feliz. Já não me fazia sentir apaixonado. Já não correspondia às expectativas que eu próprio criava. Ela já não me fazia feliz. Tentava, reconheço, mas não percebia porque não conseguia.

E eu sabia a resposta. Sabia que a felicidade que lhe dava não era a felicidade que possuía. Algo fazia eu repulsar-me dela, da felicidade. Eu magoava-a. Porque a amava feliz, e desistia do mundo triste. Era preciso amar-me a mim mesmo primeiro, só depois a ela. E nascera em mim nojo de ser eu. Nascera de novo mas num estado mais avançado uma frieza cuidadora. Eu cuidava dos meus, mas não de mim. Preocupei-me com o mundo ao mesmo tempo que dele não retirava nada. Era apenas o início. O inicio daquilo que me faria realmente ir ao fundo. Perder as luzes e o brilho que viver, sei agora, pode ter.

Tudo isto fruto de pensar de mais em mim sozinho, me refugiar em mim sozinho, procurar viver sozinho. Eu sentia que tudo o que sabia dar ao mundo eram coisas que ele não precisava ou mesmo queria. E por amor, para não a magoar mais, porque já a minha inconstância emocional a atormentava, decidi pôr fim a nós. Como se coubesse unicamente a mim decidir o nosso futuro. Abusei desse poder, e deixei-me só.

No fundo foi tudo culpa minha. Não devia tê-lo feito. Não devia ter pensado exclusivamente no que era e teimava em querer ser, mesmo sem saber o quê. Eu não sabia o que era viver. Não sabia o que era a vida. E questionei-me dela. O que era viver? Descobri por mim que era algo tão mau, tão cruel, que me metia medo encarar o mundo com o olhar. Eu tinha vergonha de ser quem era. De teimar em forçar a vida que nem sabia possuir e teimava em procurar.

Eu na verdade nem procurava. Andava por aí, milhas e milhas sem que soubesse se voava, se deslizava, se caía, se me levantava. Era um turbilhão. Eu era uma mistura sólida do que era mau. Eu fazia-me sentir mal. E o mundo, da maneira como o via, ainda pior. Eu era resultado de vivências de loucuras interiores em que mergulhava quando fechava a porta do meu quarto e me sentia pronto para morrer. Morrer sabia-me bem. Sabia-me doentiamente fascinante. Sem qualquer êxtase, morrer tornou-se uma opção dos dias em que vivia. Mesmo que sem saber se o fazia, já não questionava mais a vida. Questionava o meu poder de vivo de decidir o meu futuro. E olhava a janela e a chuva enquanto imaginava as formas de morrer. Pensava em esventrar-me com algo que me provocasse a morte. Pensava em cortar os pulsos. Pensava em morrer. Não sabia nem bem nem mal viver. Mas morrer, morrer sabia bem. Era uma porta para o nada que me soava a realização. Eu estaria realizado assim que morresse. Eu seria um morto que nem vivera nem morrera por viver. Morrera por opção própria.

...E não me apetece desenvolver mais o que fui. Chega. Este capítulo confuso temivelmente real pelo qual vivi deixa-me tonto. Deixa-me irreconhecível sobre a minha própria pele. Eu lembro-me tão bem de tudo. E enfrento essa realidade passada, mas não pretendo obrigar-me a fazê-lo com frequência. O meu futuro está á minha frente, e só o passado está escrito. E foi-o feito por mim.

Se eu disser agora que sinto prazer em viver, em ser feliz, em não baixar os braços e ser seguramente eu, com a minha personalidade unicamente minha, mesmamente cruzada com os que lêem as minhas palavras, a resposta á pergunta inicial está mais que dada. É mais que óbvio que estou. E isso não se vê pelo presente, mas sim pelo meu passado. E estou mais forte porque era realmente fraco. Agora já não.

Não mais. 


left by тιago às 21:37
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(50):
De Catii a 16 de Dezembro de 2011 às 20:26
sentimento puro , transmites aquilo que as pessoas sentem mas dando a tua história , transmites sentimentos teus que acabam por nos lembrar de nós mesmos , lindo !


De Blueberries a 15 de Dezembro de 2011 às 21:03
Sim, desde o meu 4º ano que quero seguir design de Moda, por isso xD
e tu? gostas mesmo de ciências?

Ainda bem (:


De maraft ♥ a 15 de Dezembro de 2011 às 20:35
não sei, eu só o vejo ao fim de semana que é quando vou ao café, por isso não sei :/


De Ynis a 15 de Dezembro de 2011 às 20:21
claro que gostas u,u...
T.T opaa opaa >-< és bue mau! tu não me amas de maneira alguma?! O: (mentir é feio u,u)


De PequenoCachimbo ™ ®© a 15 de Dezembro de 2011 às 20:32
desculpa la oh sr.gago, mas eu nao sou convencida u,u...para alem de boa sou bue realista xD'D


De Annye . a 15 de Dezembro de 2011 às 20:14
Mas é chato acontecer -.-


De maguie. a 15 de Dezembro de 2011 às 20:02
e eu dou. (:
Só que há dias...


De Mafav a 15 de Dezembro de 2011 às 19:20
a resposta deveria ser sim, não é? Pois mas se não envolvesse outros aspetos, a resposta certamente seria sim.
Mas sinto que preciso de explorar muitas mais coisas e que não estou preparada para assumir alguma coisa agora. É muito estranho.
Mas pronto, eu falei com ele, ficou triste mas percebeu-me. Continuamos muito apegados, por isso, possa ser que no futuro.. xD


De * wild * a 15 de Dezembro de 2011 às 14:12
Mesmo !
---
Sim, mas mesmo assim uma pessoa que ande triste deixa sempre transparecer esse sentimento, por mais que nao queira! Eu é que nao estive atenta ... E peço desculpa (:


De Teresa Isabel Silva a 15 de Dezembro de 2011 às 11:50
ah oki! Dsclp entendi mal então...
O implorante é que estejas bem...

Bjxxx


De inês silva- a 15 de Dezembro de 2011 às 10:49
ai é? aha, fixe :b
sim, já está tudo melhorzinho.


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