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тιago, 18 anos. Um rapaz como os outros que encontra demasiadas coisas por entre as coisas que devem ser notadas. E este é um espaço meu, entre todas as outras coisas.


 


between.




Sábado, 27 de Outubro de 2012

The dark seeks dark.

 

Existe um espaço temporal que separa estarmos acordados de estarmos a dormir. Um espaço sem nome próprio, ocupado de sono, umas vezes leve e outras pesado, passado repetida e provavelmente na cama que temos como nossa, a sós, enquanto acordados. Sem ser criado pela insónia e podendo criá-la a ela, não nos deixa dormir mesmo que mantenhamos os olhos fechados e vejamos nada mais do que o negro e o escuro que a noite naturalmente tenta proporcionar a quem procura dormir enquanto o sol aquece o outro lado da Terra. Anatomicamente, quem proporciona esse momento a quem deseja dormir é o cérebro de cada um de nós, o cérebro que monta um esquema mental que reconhecemos como involuntário, visto que é decidido por ele sem que possamos interferir nessa decisão. Sentimentalmente, este espaço surge como resultado de sermos dotados de memória, cognição e de uma teimosia que faz perdurar na nossa cabeça qualquer coisa, que dependendo dessa mesma coisa, poderá ser chamada, ao invés, de persistência.  E se o silêncio nos acompanha nessa recapitulação da vida, em toda a generalidade iminente dela, ou a chuva ou o vento que nesta altura por vezes cai ou corre lá fora, respetivamente, pouco faz diferença para que o momento se prolongue ou não. Ele existirá, meramente, sem depender do que nos é exterior e derivando somente de nós, sobretudo daquilo a que o exterior nos induziu e provocou, sendo que tomamos como nosso aquilo que, seletivamente, nos é importante, sem ter em conta o motivo de o ser, e aquilo que influencia o nosso modo de viver, visto que aquilo em que pensamos é a vida. De olhos fechados, muitas vezes agarrados a uma almofada que imaginamos poder ser uma outra pessoa, condenámo-nos, enquanto respiramos sem dar conta, visto que também é um ato maioritariamente involuntário do qual o cérebro se ocupa de originar, ou gloriámo-nos daquilo que tem sido a nossa vida ou daquilo que é ou daquilo que será. É complicado e impossível, sendo complicado porque é impossível, e impossível porque é complicado, reproduzir em palavras a imensidão de coisas que acontece nesse momento com que todos na vida se confrontam, repetidamente. Um momento que nem se vê digno de ter um nome, talvez por ser complicado e impossível definir aquilo que é, visto que uma palavra para existir tem de poder caber num dicionário usando outras palavras para a definirem, sem que essas se possam contradizer paradoxalmente. E é isso que me revolta, o que faz então a palavra amor no dicionário?

Provavelmente algo em que vou pensar esta noite, enquanto acordado e tentando dormir.


left by тιago às 22:02
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(26):
De Patrícia a 31 de Outubro de 2012 às 15:57
«De olhos fechados, muitas vezes agarrados a uma almofada que imaginamos poder ser uma outra pessoa, condenámo-nos, enquanto respiramos sem dar conta, visto que também é um ato maioritariamente involuntário do qual o cérebro se ocupa de originar, ou gloriámo-nos daquilo que tem sido a nossa vida ou daquilo que é ou daquilo que será.» - não diria melhor, excelente texto! (:


De psycho ; a 29 de Outubro de 2012 às 20:03
O problema nem é definir, é mesmo sentir. A desilusão é das coisas piores que podem existir.O amor é confuso, estranho até de definir porque depende de uma pessoa para a outra, agora a desilusão sente-se a mesma forma, temos é reacções diferentes.


De Miriam a 28 de Outubro de 2012 às 22:13
é horrível ...


De Autumn a 28 de Outubro de 2012 às 20:55
eu tenho imensas dificuldades em adormecer sempre, é horrível ter a mente tão povoada quando tudo o que queremos é a morte momentânea que o sono nos dá.
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é super awkward estar ali, tipo a tentar que ele não olhe para mim, mas olha, e muito. e mais, depois acabo eu por olhar para ele fixamente sem notar. xD


De sweet a 28 de Outubro de 2012 às 20:11
acredita não é um defeito, é uma grande virtude :)

PS: Adoro a playlist do teu blog, tens bom gosto.


De sweet a 28 de Outubro de 2012 às 18:01
é isso mesmo. obrigada pelo teu comentário sincero :)


De psycho ; a 28 de Outubro de 2012 às 16:13
''E é isso que me revolta, o que faz então a palavra amor no dicionário?''
Ainda me revolta mais haver a palavra ilusão no dicionário.




De sacha hart a 28 de Outubro de 2012 às 11:40
Às vezes deixas-me sem palavras. A sério que sim.


De sweet a 28 de Outubro de 2012 às 11:10
adorei, tens definitivamente um dom para a escrita.


De hope a 28 de Outubro de 2012 às 11:09
Concordo plenamente! É como se fossemos uma espécie de Deus ou whatever, temos poder sobre tudo e todos, é awesome :p


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