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тιago, 18 anos. Um rapaz como os outros que encontra demasiadas coisas por entre as coisas que devem ser notadas. E este é um espaço meu, entre todas as outras coisas.


 


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Terça-feira, 6 de Setembro de 2011

O dia.

 

Não me consigo imaginar a salvar a minha irmã. Não porque sou um covarde e medroso. Pura e simplesmente porque não saberia como o fazer. E fico descansado ao ter agora uma visão dela ao passar por entre os vidros da porta da sala no corredor. Com o seu pijama e duas tranças que amarram o seu cabelo. Caminhando sobre os seus próprios pés, algo que acompanhei a acontecer. E tanto quanto aparenta, vive, corre, e grita saudável. E eu detesto-a em todos os momentos em que vivemos, o suficiente para a amar ainda mais caso a perdesse... perde-la como se alguma vez ela tivesse sido minha o suficiente para me pertencer.

Mais uns anos e andará interessada num rapaz. O primeiro beijo, a sua primeira vez. A sua viagem de finalistas, as suas amigas. Pormenores especificamente escritos no meu coração acerca do incerto. Do mais incerto que pode haver. Saberei lá eu se a cada gargalhada que dou com ela será a última ou apenas a centésima septuagésima quarta a contar desde a última vez que choramos juntos. Saberei lá eu se ela chegará a ter um namorado, ou uma paixão. Nem da minha vida sei o futuro, quanto mais sobre um corpo independente de mim. São só ideias penetradas na minha esperança de a cada dia a ver crescer, sorrir, amar, brincar, correr, abraçar, sentir,... Sei lá eu. Desejo vivamente poder vê-la até que eu deixe de ver. Porque não saberia viver sem ela, sem olhar e vê-la.

Eu lembro-me bem daquele dia em Fevereiro de 2003. «Tiago, anda cá ao quarto da mamã e do papá.», «Vou já.»; «Vais ter um irmãozinho ou irmãzinha!», contaram-me assim que lá cheguei. Foi dos momentos mais radiantes da minha vida. Esperei quase oito anos por um irmão. E a espera valera a pena.

Queria seguramente uma irmã. Alguém suficiente diferente de mim. E agora tenho uma irmã. Sei lá eu até quando... Sei lá eu até que dia. Temo que seja até ao dia em que a terei de salvar. Porque simplesmente não saberei o que fazer. Não poderei salvá-la sem me salvar a mim, e muito menos salvar-me a mim e deixá-la para trás. Incrível como o seu salvamento me poderia salvar. Salvar-me suficientemente para que a pudesse salvar. Mas jamais aceitaria que ela me salvasse. Porque é demasiado frágil e capaz. O suficiente capaz para me salvar. Bastaria um abraço. Porém, salvá-la exigiria bem mais. Porque quanto mais o bem é precioso, mas cuidado temos de ter para o mantermos.

E se eu a perdesse, á minha irmã, perderia a parte minha que lhe pertence e não se vê fisicamente. Para todos os efeitos sou seu. Seu irmão. E haveria sempre de amá-la. Amá-la o suficiente para que todo o amor que lhe possa ser dado agora seja insuficiente. Como não sei quando vai acontecer, devo viver tudo ao máximo com ela. Ao máximo o suficiente para que todo o amor que lhe posso dar seja o mínimo. E será por aí... até um dia. O dia em que a terei de salvar.

 

P.S: Acabei de ler Para a minha irmã, de Jodi Picoult.

 

Até Amanhã.

O dia foi: bom.

left by тιago às 23:34
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(21):
De Flor-de-lis a 12 de Setembro de 2011 às 13:21
gostei imenso do teu texto! Espero com toda a sinceridade que tenhas muitos e grandes momentos com a tua irmã. Mas que sobretudo saibas aproveitar cada segundo que tens. Desejo tudo de bom para os dois e muita força para ultrapassar todas as barreiras.
E já agora que possas partilhar muitas gargalhadas e sorrisos com ela.
bjs e muita muita força.
Um grande abraço


De inês silva- a 10 de Setembro de 2011 às 23:11
Escreves muito bem!
ps. gosto da música :3


De -Sara a 9 de Setembro de 2011 às 03:40
Amei o texto.
Tal como adoro tudo o que escreves.
A verdade é que quer com uma relação boa ou má, serão sempre nossas irmãs (também tenho uma, mas mais velha), e não saberemos viver sem elas pois fazem parte da nossa história, da nossa identidade, da nossa capacidade infinita de amar :)

Beijo.


De Juliana a 8 de Setembro de 2011 às 12:34
O texto está lindo.
Também tenho um irmão, mais novo. Detesto-o amando-o. Ele é o homem da minha vida, está sempre em primeiro lugar em tudo o que penso. Quero sempre que ele tenha uma vida melhor que a minha. Sinto-me protectora em relação a ele. Ele chama-me chata e eu trato-o como estupido, mas não sei se conseguiria viver sem ele. Acho que só percebem estas coisas quem tem irmãos :)

Desculpa pelo testamento :)


De Daniela a 8 de Setembro de 2011 às 01:48
Ah pronto , fiquei na dúvida :b


De Annye . a 7 de Setembro de 2011 às 20:33
Não, não chega a esse ponto ! xb
Eu tenho uma irmã mais velha mas gostava de ter um maninho ^^ . Não gosto de ser a mais nova -.-


De mia. a 7 de Setembro de 2011 às 19:38
oh, eu estava na brincadeira :b
btw, amo a música que tens no blog :3


De Eleanor. a 7 de Setembro de 2011 às 18:37
o texto está lindo :D
eu não tenho irmãos, mas tenho uma prima que é, para mim, como minha irmã, e sei que quando uma de nós está em perigo a outra ajuda logo. Creio que não precisas de ter medo/receio de não conseguires salvá-la, porque a decisão de salvar alguém que amamos é irracional, tu na altura não pensas apenas ages :)


De afrodite a 7 de Setembro de 2011 às 17:11
Ohhh é tão bom ver o amor de irmãos :')
Eu e o meu irmão temos uma relação no mínimo interessante x) Mas amamo-nos e isso é o mais importante! Sabe bem saber que quando for velha, feia, gorda, corcunda e com Alzeimer terei sempre o meu maninho a apoiar-me :'3
Bjs e bom texto ;)


De PequenoCachimbo ™ ®© a 7 de Setembro de 2011 às 16:34
+o.+ qe textinho bunitiiiim +o.+..(T.T desta vez non churei, mas estive la qase... T.T pig .|.)
*
:O tens uma irma...ca sorte O.O''

bijooo
o/ hasta


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